31 julho 2010

jogos de negação

teria que olhar para mim
pela certeza, antes de tudo, esta maldita
de que eram os meus olhos que previamente cintilavam

em ver suas mãos, seus pés e dorso juntos (quem sabe)

teria que olhar para o umbigo, indo e voltando lentamente
controlado, devido a farsa pretendida

escorregando entre a garganta
previamente arranjada: uma voz de um sorriso leve
nunca exaltar o desejo e fingir que apenas estivera esperando pelo acaso

e aquela respiração tensa disfarçada pelos tantos maços de cigarro
ou pelo gole ininterrupto da fala: conversar quase aleotariamente sem perder o rumo
e não deixar as mãos escorregarem nem que por um carinho no ombro alheio

é que estavam alheios, ambos, em pretender antes
ter a certeza, essa maldita, de que a recíproca era a mesma:
daquilo que sabiam negar.

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