12 julho 2009

Carta ao residente

Posto residir em mim e estes seus olhos úmidos, o que farei deles?
Não presto, e confesso meus feitiços em não te materializar ainda, pequeno é meu coração, bem sabes disso.
Querido residente, não sabes que outra morada eu não poderia te dar em noites de inverno e por sorte é que não venta.
Penalizo a mim, que não te mereceria, por ambição resides só.
Porém só tu resides, e isso não é lindo!
Louca sou de não aproveitar o resto do destino ao teu lado, mas vê que o futuro se alarga e vê que no futuro, ao menos, o gavião mata a gaivota de horrores, ou este pombal inteiro.
Quando partir, não partirás de mim, e te saúdo aqui e depois, porque ao morrer nem tu me velarás em praça pública. Nem tu me terás, morta sob o véu londrino, meu amigo, confidente e amor, sumo e espero a tua alegria no sigiloso sonho em que nos encontraremos.
Sê forte na solidão do meu coração, que não te traio, apenas cumpro o destino e olhe! ao redor... Quase sobrevoei de volta, mas não tive ímpeto.
Se é covardia a minha deixar-te, é porque no tempo certo serás o rei certo.
Não desistas de mim, a não ser da minha sorte.
Em breve,

Ana Boleña
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