24 agosto 2009

Carta ao Abandonado

Pobre abandonado que amou-me então antes mesmo do reinado. Pensavas que eu esqueceria tuas faces e tuas preces, pobres também? Não, eu não te quero baixa, mas da minha altura lhe diria com carinho, como sempre digo: não, meu querido, teu abandono não foi em vão nem teu coração suado.
Eu perdi alguns minutos durante todos estes anos em te ver pela multidão e gritavas meu nome em praça e em ouvidos, meu querido, que eu soube e sabia, repito tuas lágrimas agora no meu desfecho serão lembradas, sobretudo se me coloco ao papel como faço agora.
Está feito o que estive planejando? Ou má não me dei conta dos teus talentos? Não, não percorra tantos pensamentos em vão, estive atenta ao pulsar constante destas tuas veias dignas, mas não puras para fazer de mim rainha.
Ris, e choras ao mesmo tempo? Eu também.
Na minha glória é que erguerei teu nome e já fez tempo.
Perdoa um dia aquela que sonhava ter-te ao peito,

Ana Boleña

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