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28 julho 2010

inocente

eu não queria ter certeza do teu amor para destruí-lo
- será que meus olhos são assim perversos?

porque não me respondia
e nem como amigo me dizia coisas do tempo em que nos conhecemos
e não nos conhecemos pouco: passamos noites inteiras nos divertindo da gente
passamos noites inteiras como camaradas antes da guerra
e antes das paixões e durante as paixões que compartilhamos

por que ele tinha me enganado e eu caí.

um amigo não poderia se apaixonar por outro: eu dizia com medo (de nós).

e tinha sido tão bom no tempo das aparências
que eu só queria ele de volta. (o tempo e ele para rirmos de nossos corações trincados).

para rirmos era tudo embaçado? que eu não podia supor que dor poderia haver
em me olhar nos olhos me abraçar nem nada.

que de engano em engano eu até me disfarçava de amor
para não perder do tempo em que eu era inocente.

2a. parte

(eu só causei uma esquizofrenia e foi sem querer, meu amor, de fraterno amor)
e você me confundiu. e você me destruiu os sonos de não ter servido.
os poucos gestos não cumpridos. o que não pude lhe dar, meu amor, de fraterno amor
agora para onde eu vou, eu vou sem você comigo (é isso?).

3a. parte
eu sou a solidão
a angústia e a tristeza
aquela alegria que eu matei
aquele riso que eu descobri não era meu
aquele inteiro corpo que lhe dei para desfrutarmos em jornada
aquela coisa toda de dormimos como irmãos e nos perdermos em histórias nossas
aquelas antigas fábulas
eu sou o teu poema. e iniciei a matança.

4a. parte
há quem seja culpado por ter nascido espinho.

Um comentário:

ítalo puccini disse...

um puta final, chris!

a construção toda ficou muito muito boa. conduzindo o leitor para o soco final.

abração!