04 março 2010

Promessa

Prometo (a você) que em tua estadia não escreverei uma linha
pêlo-contrário

vou riscar um pouco dos meus cotovelos no teu dorso
e esquecer o que são palavras

prometo não me levantar do nada para enxergar futuros:
quero-te no foco instante em que meus olhos vesgam
e estar a par dos teus membros

Prometo lacrimejar só no início e me deixar secar em
tua voz: um pouco tremida e sincera

Então prometo transformar minha criatividade em algo de se fazer comida de arrumar a casa de limpar os pés de limpar os corpos de limpar os dedos sujos de giz.

Prometo, então, então, o que mais prometo? Um pouco de defeitos nas ações: porque não quero falsear nem um gesto

Vou tropeçar em novas taças e talvez beber falando palhaçadas e ouvir músicas que só a gente entendia no tempo das coisas raras

Prometo, meu amor, não escrever uma linha do nosso reencontro, e,
revisitar de encanto os tempos sobre teu ombro

Espero dizer sim para todas as coisas, eu tenho treinado o sim nas minhas manhãs
eu tenho treinado o sim nos teus olhos que sei, vão fugir um pouco pra cima
a indecisão coerente de estar fazendo aqui.

Por que na tua demora eu tenho criado um exército de sins (parar enquanto estiveres comigo)

É que não há mágica maior que a de dois homens férteis.
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