19 setembro 2009

de bom amor

poderia escrever sobre as botas molhadas
e do extenso caminho em que chegavas

não quero

ainda tenho no rosto um pouco daquele risco que fizeste com caneta azul

foi de uma tatuagem passageira o meu sonho, enquanto isso, eu beijava sim os teus olhos.

poderia escrever também das tuas palavras em que os ouvidos se aninham e gozam

por si só eu diria tantas outras coisas dos tempos últimos e dos intervalos
nenhum
claustro ou medo da existência: existiria outra mágica maior que a dos nossos dentes por entre os corpos.

não quero lhe dizer de amor, porque é óbvio e é sincero
quando dois homens
nus se desenfrentam :
um tórax inflado me remete ao formato dos corações de papel

poderia até inclusive fazer-te mil pedaços em versos e mais suficientemente mais lembrar-me até o esgotamento de que voltavas e me preecherias de novo: as botas molhadas e as mãos riscando o entorno.


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