22 julho 2009

rosto de anjo então

de tão belo
o mundo lhe girava os olhos
e segurava o mundo
seus pêlos por pura abstração
- era também desta força gravitacional

deixá-lo flutuar
de tão belo

deixaria

e sua doce doce vida?

a que o homem invejava
a que o homem cutucava: com receios e horror

de tão belo, não se olhava em seus olhos
dali sim: fumaça desgraçada e arredia!

mal lhe tocava. ao cruzar os braços sorria displicente ao lado. aqueles olhos levitavam até rancores: lhe traria êxtase se possível e nada a mais.

quer de provar o belo desta pele macia e acentuada de desvios
- pois desviava como sombra desvia dos nossos ângulos retos

de tão belo, anjo não seria
culminado a si: entregue a si

se lhe tocasse então, conseguiria sobreviver sem lhe ter saudades?
conseguria o homem a que remeter cartas
ou remeter pensamentos bons - nunca envelhecer em dias de chuva...

de tão belo
saía e voltava a quem
fosse por distração
o mundo continuava
a lhe girar
os ossos magros e distintos
magros
e distintos: eram pêlos de arrepiar
pouco
anjo
de rosto.
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